Eye Tracking versus Mouse Tracking

Os mais ligados em usabilidade para a Web já devem ter, pelo menos, ouvido falar sobre o “eye tracking”, uma técnica utilizada para testes de usabilidade de sites, mas não restrita apenas a isso. Na verdade, a sua história vem do século 19 com os primeiros estudos do movimento dos olhos humanos. Mas o meu papo aqui é sobre internet mesmo.

A vantagem de se analisar o movimento dos olhos de um usuário durante a navegação em um site é entender cientificamente o reflexo involuntário do seu cérebro ao ser apresentado a um conjunto de informações visuais. Através do eye tracking, podemos identificar focos de atração na página Web, elementos que conduzem o “escaneamento” do seu conteúdo.

A imagem abaixo mostra um “heatmap” baseado no eye tracking de uma página:

Heatmap de um caso de eye tracking

Fica clara a tendência de concentração dos olhos dos usuários nos primeiros parágrafos de conteúdo da página formando o famoso “F” apontado por Nielsen. Mas preste atenção no poder da primeira lista de itens. Diversos estudos já comprovaram a eficácia das “bulleted lists” na leitura das páginas de internet, tanto que hoje figuram em diversos artigos e publicações sobre webwriting.

Embora hoje seja um método científico bastante difundido e eficaz para a análise do comportamento do usuário, o eye tracking não é a única forma visual de se estudar a interação em um site. Outra técnica que tem conquistado espaço é o mouse tracking, que consiste na gravação do movimento do cursor do mouse durante a navegação em um site. Tão simples assim.

Em um primeiro momento, o mouse tracking pode até parecer inútil se comparado ao eye tracking, mas a verdade é que os dois funcionam muito bem juntos. Se por um lado eu sei para onde o internauta está olhando, o movimento do cursor do mouse agrega uma informação muito relevante para a análise da sua interação. Veja o vídeo abaixo com um exemplo de aplicação das duas técnicas:

O exemplo acima mostra os momentos em que há uma sincronia entre os olhos e o mouse e quando ambos divergem. Analisando mais profundamente, você perceberá que a qualquer oportunidade ou intenção do usuário para clicar, a tendência é que o cursor do mouse se aproxime do ponto onde os olhos estão fixados. Onde não há potencial para o clique, cursor e olhos divergem.

Há pouco tempo, fiquei sabendo de uma ferramenta gratuita de mouse tracking através de uma designer de interface que trabalha no mesmo núcleo de projetos que eu no Grupo RBS. Trata-se do RobotReplay e existem alguns vídeos demonstrativos bem interessantes em seu site oficial. Ainda não tive a oportunidade de testá-lo, mas ele está definitivamente na minha “to-do list” 🙂

E você? Já testou o mouse tracking?

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Search 2007: O Que Aprendemos

2008 chegou. É hora de olhar para 2007 e projetar o novo ano com base nos erros e acertos do ano passado.

Para a indústria da busca, tivemos um ano especialmente peculiar. A busca universal do Google mudou a forma como as páginas de resultados (SERPs) são exibidas na nossa tela. Logo depois, o Ask.com apareceu com seus resultados mistos dispostos em 3 colunas, o chamado Ask3D. E o Yahoo!, em outubro, lançou a sua “blended search“, também seguindo os passos do principal rival.

Do lado das redes sociais, tivemos algumas adições interessantes no “buscaverso”. O Mahalo e o esperado Wikia Search (prometido para a próxima semana) aproveitam as características de colaboração da Web 2.0 e as aplicam no conceito de busca. Além disso, com a expansão do universo das redes sociais, sites como Wikipedia, Facebook, Del.icio.us e similares passaram a ser a nova coqueluche dos search marketers por serem instrumentos de rápida propagação de “votos” para os algoritmos de buscadores.

Uma crise no mundo de SEO colocou em dúvida o futuro da função em decorrência das últimas mudanças nos principais sites de busca. Busca personalizada, busca universal e o fortalecimento dos links externos na avaliação dos algoritmos responsáveis pelos cálculos das buscas estão tirando, cada vez mais, o controle das mãos dos otimizadores. Seria o momento de começarmos a pensar mais em marketing online ao invés de pensar apenas em search marketing?

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Internet 3G, Vírus Social e Árvores de Natal

De volta da serra após uma noite de tempestades lá em cima das montanhas, estou em dívida com os migloggers para descrever como foi a minha mais recente e derradeira experiência com a banda larga do Claro 3G para laptops. Uma droga! Perdão pela forma que estou colocando. Na verdade, nem trata-se de uma avaliação da tecnologia 3G em si, uma vez que Veranópolis e a serra gaúcha como um todo ainda não fazem parte da cobertura de terceira geração. Mas a rede GSM, infelizmente, não deu conta no local onde passei o meu Natal 😦

Completando, então, o meu quadro de testes da recepção do Claro 3G, estou assim:

Porto Alegre – ruim
Capão da Canoa* (litoral norte do RS) – boa
São Paulo – muito boa
Veranópolis* (serra gaúcha) – muito ruim

*GSM

A recepção do sinal 3G tem melhorado aos poucos aqui em Porto Alegre, mas mantenho a avaliação anterior devido à instabilidade que ainda tenho percebido. Considerando que é 3G, espera-se, no mínimo, acessibilidade permanente e velocidade estável, como a experiência que tive em São Paulo recentemente. Caso isso mude (para melhor, eu espero), certamente voltarei a postar aqui um update da minha avaliação, afinal, temos que ser justos, certo? 😉

Bom, agora que o especial do Roberto Carlos já acabou e muitos de nós já acompanhamos a trajetória do Papai Noel pelo YouTube ou pelo Google Maps/Earth neste Natal, está na hora de voltarmos a cair na real, pelo menos por mais alguns dias até que 2008 não nos arrebate de vez.

Vírus Social

Este Natal foi particularmente curioso para a rede social mais difundida no Brasil: o Orkut. Um blogueiro auto-denominado RodLac descobriu uma vulnerabilidade no sistema do Google e resolveu fazer uma “brincadeira” espalhando um vírus “benigno” pelo Orkut. A idéia inicial era divulgar o seu próprio blog, mas o rapaz desistiu da idéia temendo que isso pudesse sujar a sua imagem. A equipe responsável pelo Orkut já corrigiu o problema e, até onde se sabe, o Google não o contratou. Tsc, tsc, tsc…

Árvores de Natal

Outra coisa relacionada a Natal mas que nada tem a ver com ele (entende?), é uma nova opção de interface de resultados de busca que parece ser o novo Tsunami, isto é, a onda do momento. A Microsoft já andou testando uma interface alternativa para o Tafiti, sua busca experimental totalmente baseada em Silverlight.

O resultado é uma experiência, no mínimo, interessante na navegação por resultados de busca e no seu refinamento. Mas o que mais me chamou a atenção foi a presença de uma “tree view” para visualizar a query da Web. É bom lembrar que, recentemente, o YouTube adicionou um modelo de navegação por vídeos relacionados muito semelhante em seu player. Apesar de não ter o formato literal de árvore, o conceito de hierarquias de relevância e conexão é o mesmo:

Tree View do YouTube e do Tafiti

Ah, sim… Bem atrasado, mas… Feliz Natal a todos os migloggers! 🙂

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Google Organizando As Informações do Mundo?

Temos visto, já há algum tempo, diversos testes e novas implementações no produto de busca mais usado da internet: o Google. São mudanças e aprimoramentos no algoritmo responsável por entregar os melhores resultados, mas também são integrações estratégicas e auto-referências que nos fazem questionar até onde o Google vai na consolidação da sua hegemonia frente aos demais buscadores.

Logo do Google de final de anoAlguns aspectos recentes (e outros nem tanto) têm provocado uma particular curiosidade em mim, sobretudo no que diz respeito aos efeitos nas páginas Web mais populares do planeta: as páginas de resultados de busca (também abreviadas como SERPs). Além disso, tenho pensado muito sobre o Google como empresa e o impacto do seu real modelo de negócio (publicidade) no mundo hoje. Abaixo destaco alguns desses pontos.

Knol x Wikipedia

O Google anunciou na semana passada o projeto do Knols, sua resposta para a Wikipedia. Trata-se de uma plataforma de compartilhamento de conhecimento (daí o nome “knol”, do inglês “knowledge”) através do qual os usuários contribuem com assuntos do seu expertise e são capazes de editar e adicionar conteúdo, postar perguntas, classificar knols, entre outras atividades baseadas em comunidade.

Até aí, tudo bem. Sabemos dos esforços do Google como facilitador de acesso às informações. Agora, veja este trecho do comunicado oficial:

“At the discretion of the author, a knol may include ads. If an author chooses to include ads, Google will provide the author with substantial revenue share from the proceeds of those ads.”

Não poderia ser diferente. Eis mais uma grande fonte de receita para a gigante de Mountain View. Percebem? Mais conteúdo gerado por usuários significa mais inventário para uma publicidade contextual. Bingo! Então você me pergunta: mas, Miguel, o que isso tem a ver com páginas de resultados de busca? E eu respondo: tudo!

Veja, por exemplo, uma busca por “santos dumont” ou “albert einstein“. Achou tendencioso? Então tente a palavra-chave mais buscada do ano: “iphone“. Notou alguma semelhança nos resultados da busca orgânica? Mesmo? Dê uma olhada nos primeiros sites listados. Você vai, provavelmente, ver a Wikipedia no topo. E este é o meu ponto.

Com o Knols, o Google não apenas estará atacando o privilegiado posicionamento da Wikipedia em seus resultados, como estará promovendo o seu “próprio” conteúdo, ou seja, o conteúdo que ele mesmo monetiza para si. Não que não seja relevante, bem pelo contrário. Eu queria justamente apontar os dois lados da moeda, afinal, o Google pode ter fama de bom samaritano, mas não é bobo 😉

Orkut nos resultados do Google

O blog Undergoogle destacou nos últimos dias a inclusão de informações de perfil do Orkut nas buscas do Google. Uma nova opção surgiu nas configurações da rede social permitindo ao usuário disponibilizar ou não as suas informações pessoais no buscador.

Os perfis aparecem nos resultados de busca (para quem está logado no Orkut) na forma de uma OneBox, uma caixa com um resumo do usuário que inclui nome, foto e localidade. Geralmente, a OneBox aparece no topo ou no final da página de resultados. Trata-se ainda de uma fase de testes e, portanto, limitada apenas a alguns usuários.

Blogs e notícias na primeira página

O Google comprou o Blogger, sistema de gerenciamento de blogs que compete com o WordPress (e, ironicamente, apresenta um código bem inferior para SEO). Também incorporou blogs em sua busca universal. E o Googlebot, por default, tende a passar mais vezes em sites atualizados de maneira mais freqüente, como… blogs! 🙂

Da mesma forma, a busca universal do Google também passou a incluir notícias do Google News, cujo conteúdo é adicionado pelos próprios provedores de notícias e aprovado editorialmente pelo Google (nada de robô aí). A emblemática CNN e o grupo Time Warner como um todo têm parceria com a empresa de Mountain View. A tal parceria envolveu, há dois anos, um negócio no qual o Google aceitou desembolsar 1 bilhão de dólares por 5% de participação na AOL, empresa integrante do conglomerado de mídia. Mas não foi tudo. Concordou em oferecer um crédito de 300 milhões de dólares em links patrocinados por um período de 5 anos.

Ah, eu mencionei que o The New York Times é site parceiro da rede de conteúdo do Google (AdSense)?

DoubleClick e a nova cruzada do Google

Agora é oficial. A Federal Trade Commission (FTC) finalmente aprovou a fusão da DoubleClick com o Google sob o argumento de que as duas empresas são detentoras de modelos de negócio “complementares”. Faz sentido se considerarmos as demais aquisições realizadas em 2007: Yahoo! comprando a Right Media; AOL adquirindo a ADTECH AG e a TACODA; WPP Group queimando verdinhas pela 24/7 Real Media e a Microsoft desembolsando 6 bilhões de dólares pela aQuantive, além da compra da AdECN Inc. Nada mais justo, certo?

Olhando para trás neste ano de 2007, é muito difícil de visualizar o Google simplesmente “organizando as informações do mundo e tornando-as universalmente acessíveis e úteis”. Talvez Mountain View ainda mantenha essa missão. Agora, não se pode falar o mesmo do resto do mundo, não é verdade? 😉

Que venha o Ano Novo!

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Programe-se Com o Guia de TV do hagah

Se você assiste à TV por assinatura, à novela das oito ou a qualquer programa de TV e gosta de atualizar-se com a programação dos seus canais preferidos, especialmente se você reside na região Sul do Brasil, a sua vida acaba de ficar mais fácil com a recém lançada Programação de TV do hagah.

No novo produto, lançado oficialmente ontem, é possível conferir a grade horária completa da TV aberta e fechada (somando cerca de 130 canais), sinopses de novelas e seriados, informações sobre filmes e documentários, entre outros conteúdos. O mais legal é que todos os programas estão destacados com cores de acordo com o seu gênero. Quer ver só séries de TV a cabo? Sem problemas. Basta clicar na sua operadora e selecionar o filtro específico de séries. O hagah oferece diversas visões para facilitar o acesso aos canais e programas desejados pelo usuário.

Faça um teste e deixe os seus comentários 😉

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Brigando Com a Internet 3G da Claro

Não posso negar, o acesso via GSM no litoral gaúcho foi uma boa experiência e em São Paulo, onde também já há uma rede 3G, a estabilidade me fez esquecer as dificuldades que enfrentei em Porto Alegre em determinados horários dias antes. Mas agora, pouco mais de duas semanas desde que adquiri o modem da Claro para o meu laptop, começo a questionar se realmente fiz um bom negócio.

Não me levem a mal, a questão é que aqui em Porto Alegre ainda tenho notado muita instabilidade e longos períodos de lentidão no acesso – o que tem me irritado um pouco, é verdade. Como ainda não cancelei o Vírtua, acabo desistindo da conexão 3G e fazendo o switch para o cable da Net. O problema talvez nem seja tanto os momentos de lentidão, apesar de serem constantes, mas a falsa promessa dos vendedores da Claro quando dizem que, diferentemente do Vírtua, o Claro 3G realmente garantiria envios e downloads a 1 Mbps. Blá-blá-blá…

Por enquanto, a minha avaliação da qualidade do acesso está assim:

  • Porto Alegre – ruim
  • Capão da Canoa* (litoral norte do RS) – boa
  • São Paulo – muito boa

*GSM.

E para os amigos migloggers que demonstraram interesse no assunto no meu último post sobre as primeiras experiências com a internet 3G, aqui vão as minhas respostas:

M.Sobral Jr: Este modem funciona em um computador da Apple?

Sim. Existem dois tipos de modem oferecidos pela Claro com a nova tecnologia 3G. Um deles é interno e o outro, que eu uso, é externo. O modem externo é conectado ao PC através de uma porta USB, portanto, é universal. Você pode inclusive utilizá-lo em desktops, caso necessite.

Jailson: Será que esse tal modem pode ser compartilhado via proxy no Windows? Podia falar mais como é a configuração dele no micro?

Jailson, não sei te responder sobre o compartilhamento via proxy, mas a configuração é muito simples. No caso do modem USB, basta plugar na entrada do seu notebook ou desktop, desde que o software já esteja instalado (ele vem no CD junto com o modem). Na verdade, a Claro mesmo faz a instalação e configuração para você na própria loja, então não há grandes problemas quanto a isso. Esta é uma foto do meu Claro 3G plugado no laptop:

Claro 3G na porta USB do laptop

Bruno: Você acha que vale a pena arriscar na Claro agora? Imagino que as outras teles devem entrar na 3G com promoções e certos diferenciais em breve, então temo que o contrato de fidelidade acabe me dando um grande arrependimento no futuro.

Pois é, Bruno. Como tenho percebido uma grande diferença da qualidade da conexão do Claro 3G em locais diferentes, sugiro que você veja antes a opinião de quem já usa esse serviço aí em Fortaleza. Se for como a experiência que tive em São Paulo, vale muito a pena. Se for como aqui em Porto Alegre, eu recomendaria esperar mais um pouco. O mercado certamente será aquecido com novas alternativas competitivas e sabemos que, muitas vezes, quem lança depois consegue evitar os erros dos precursores. Se você não tem pressa, como eu tive, acho que aguardar por mais opções e opiniões podem ajudar muito e evitar esse maldito contrato de fidelidade 😐

Gostaria de agradecer aos leitores que comentaram e continuo aberto a qualquer dúvida que possam ter sobre a internet 3G da Claro. Espero poder ajudá-los.

No Natal, o novo desafio geográfico: Veranópolis, na serra gaúcha. Não deixem de acompanhar aqui no MigLog 🙂

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Seth Godin Antes dos Nossos Comerciais

Vivemos em um mundo de muitas opções e pouco tempo para, de fato, pensar nelas. Uma escolha óbvia tende a ser ignorar o que é comum, banal. Ainda assim, muitas empresas ainda apostam no que é apenas bom, ao invés de pensar no que é marcante.

Neste vídeo de 17 minutos, o guru do marketing Seth Godin explica por que, quando se trata de chamar a nossa atenção, idéias ruins ou bizarras têm mais potencial de sucesso do que as comuns ou, digamos assim, chatas. Ele também sugere que os “early adopters”, e não a curva ascendente do mainstream, são o novo “sweet spot” do mercado.

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