Diga-me o Que Buscas e Te Direi Quem És

Aquela caixinha de busca sem graça que você e eu usamos religiosamente todos os dias para procurar conteúdo na Web está cada vez mais para uma caixa de Pandora do que para um item de formulário HTML.

Talvez você não tenha reparado, mas há muito mais além dela do que simples páginas de resultados. Toda vez que você processa uma consulta, está dizendo algo que você quer, uma intenção. Essa intenção está associada a uma série de outros dados simples que vão de presente para o motor de busca: hora, data, browser, navegador e até posição geográfica.

Isso quer dizer que o Google, o Yahoo! ou a Microsoft (só para citar os principais) têm condições de saber, por exemplo, que na última quinta-feira, às 17:55, você, um porto-alegrense que usa Firefox em um Windows XP Service Pack 2, estava interessado em encontrar algo relacionado a “ajax“. Legal! Mas e daí?

Bom, se você digitou “ajax”, você poderia ser um programador procurando algo sobre a tecnologia, uma dona de casa querendo saber o preço de um produto de limpeza ou até um gremista nostálgico buscando notícias de um time de futebol holandês. Nos três casos, você poderia ter feito uma busca mais refinada, mas como muita gente ainda não sabe buscar pelas melhores palavras, o trabalho de sorting fica todo com o buscador. Oh, pobre buscador!

Mas como um robô pode saber o que eu realmente quero? Boa pergunta! Na verdade, eu vejo isso de duas formas possíveis:

1) Ele resgata um histórico global das buscas pela palavra que você usou e classifica os resultados de acordo com as suas taxas de cliques do passado e os seus devidos critérios de relevância e popularidade;

2) Ele resgata um histórico pessoal das suas buscas recentes (cruzando informações como IP e sistema operacional) e identifica um padrão nos temas que você mais se interessou.

Os dois cenários são possíveis, porém o último me parece ser o mais próximo do que tem sido chamado de busca semântica ou até busca personalizada. Em outras palavras, o resultado seria customizado de acordo com uma análise probabilística do seu histórico de buscas recentes.

Para fazer isso, contudo, é necessário um algoritmo que trabalhe com clusters ou grupos de significado (semântica pura!) para palavras-chave. Para saber se você é o programador interessado na tecnologia AJAX, o robô de busca precisa “entender” que essa opção existe para a palavra “ajax”. No caso do exemplo que usei, ele teria que vasculhar os 3 clusters possíveis e identificar algum que esteja mais associado às suas buscas mais recentes (e, talvez, devolver os resultados de acordo com as estatísticas globais, caso a amostra não seja tão significativa).

O fato é que esse tipo de tecnologia de busca que eu acabei de descrever de maneira simplista já está sendo utilizado atualmente e muitos outros pequenos cálculos estão deixando esse algoritmo cada vez mais complexo e inteligente. É bem possível que também já estejam tramando algo relacionado à busca comportamental para a publicidade. Afinal, qual anunciante não gostaria de prever o comportamento de um consumidor propenso a adquirir um produto que consta em seu mix?

Pense nisso na sua próxima aventura pela caixinha de busca. E não deixe que mais alguém que acesse o seu PC saiba disso! Vai que digitem algo do tipo “peladas de segunda” no seu Google Desktop

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